© "Via sacra"  Bill Ross
 

Junho - 2009

 

A Tua Palavra Ilumina os Meus Passos

 

Génesis

A História da Salvação
é um Caminho de Obstáculos
Génesis 12, 10-20
   
Autora: Nicoletta Crosti
 

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A história da salvação, iniciada com o chamamento de Abraão, vem apresentada pelos autores como um caminho cheio de obstáculos. Este primeiro relato revela já alguns aspectos típicos da história que se desenvolverá largamente em todo o livro do Génesis.

A história da salvação:
• é querida e conduzida por Deus, e desenrola-se não obstante as dificuldades e os perigos que incidem sobre os protagonistas.
• tem necessidade da coragem e da fé dos protagonistas, que são “postos à prova” por Deus. O Senhor põe os justos à prova (Sl 11,5).
• revela a dupla acção de Deus: a de salvar quem está injustamente oprimido e impossibilitado de se defender e a de atingir quem realiza más acções, para o incentivar à conversão.

v. 10 "houve uma época de fome na região." As lamentações de Jeremias (4, 4-10) e Joel (1,16-20) dão uma ideia da tragédia da fome, recorrente no Médio Oriente, devido à seca.
e Abraão desceu ao Egipto... No Egipto as inundações do Nilo faziam com que a seca não se fizesse sentir e era costume descer-se da Palestina ao Egipto para se encontrar pasto para os animais e alimento para a própria família. Abraão sente-se co-responsável da promessa recebida há pouco, a de ser o chefe do povo e ter de agir em conformidade. Por isso procura salvar a sua vida e a da sua família.

De facto as promessas de Deus não se auto-realizam miraculosamente, mas têm necessidade do empenho do homem.

Deus ajudará Abraão apenas quando a situação se tornar incomensurável para ele.
Para se colocar temporariamente na condição de estrangeiro. Esta expressão será repetida mais vezes, referida pela Bíblia quer a Abraão, (Gn 23,4) quer ao povo hebreu (Lv 25,23; 1Cr. 29,12-16; Sl 39/38,13; 119/118,19). Abraão é a figura do crente sempre a caminho e permanecendo sempre estrangeiro à procura de um lugar que não conhece (a terra que eu te indicarei). Abraão procurará a sua segurança não na posse de um grande património, mas na confiança em Deus que o tinha chamado.
O sentir-se estrangeiro e hóspede nessa terra será retomado pelos apóstolos que também o referiram aos cristãos (He 11,13-16; 1P 2,11) Porque a nossa lei e governo estão nos céus e deles esperamos como salvação o Senhor Jesus Cristo (Fl 3,20).

É a pertença total ao reino de Deus que nos torna estrangeiros e hóspedes

Os cristãos são estrangeiros ao viver pagão e ao viver sem Deus (Ro 12,12). Só quando esta terra for “transfigurada” em novos céus e novas terras (Ap 21,1-4) é que o homem e a mulher deixarão de ser estrangeiros e hóspedes, porque a terra se tornará o lugar da plenitude do reino.

v. 11 Olha, peço-te, eu sei que és uma mulher de aspecto atraente… Abraão, como semi-nómada, vive uma vida precária, em que não tem direitos nem defensores, enquanto não pertencer a uma comunidade ou a uma tribo. É o clássico «homem sem poder», que não conta para nada, de quem todos podem fazer o que quiserem. Não surpreende então que Abraão use um subterfúgio para salvar a vida e obter aquilo que espera por direito. O autor não se escandaliza pela utilização deste subterfúgio, mas constrói-o com arte para dizer que todos os homens são pecadores, até os patriarcas. Isto diferencia os patriarcas das figuras epónimas, dos heróis a quem os vários povos atribuíram a sua origem. Deus espera que Abraão leve a sério a sua liderança, a sua vocação.

O autor quer sublinhar que a salvação vem exclusivamente de Adonai, o Deus poderoso de Israel, e não da santidade dos patriarcas.

Abraão vive de facto uma dupla prova que resolve. de maneira sábia. Para não morrer de fome, por causa da seca, arrisca-se a morrer pela espada por causa da brutalidade dos pagãos face à beleza da mulher (v.15). É certo que o autor vivia num tempo em que a vida do homem era mais importante do que a vida da mulher e em que esta era objecto e não sujeito. Objecto de prazer e geradora de filhos.

v.13 Peço-te que sejas minha irmã… Na alta Mesopotâmia havia o costume de adoptar a própria mulher como irmã para lhe permitir ter mais privilégios.

v. 16 Abraão recebeu alimento, armas e gado, escravas e escravos... Abraão recebeu tudo quanto tinha sido previsto. Foi recompensado pelo faraó que se tinha apropriado da mulher.

v. 17 o Senhor atingiu o faraó e a sua casa com grandes pragas. Deus não aceita a violência feita a Sara, que é vítima inocente dos avanços masculinos e não pode defender-se. Deus pretende libertá-la e fá-lo atingindo toda a família do faraó, de acordo com a mentalidade do tempo que via o pecado envolver todo o clã, tendo-se compadecido apenas de uma única pessoa.

v. 18 o que te levou a fazer semelhante coisa? Por que não declaraste que ela era a tua mulher? O autor sublinha que a má acção permanece como tal mesmo quando o sujeito não está disso consciente. Deus não deixa de reprovar as acções culposas. Compreende-se que o salmista diga: perdoai-me das culpas que não vejo (Sl 19/18,13).
O final da história é positivo: Abraão fica mais rico do que antes. Deus libertou-o da fome e da morte. Abraão superou a prova.

Deus serve-se dos pequenos, dos sem poder, dos sem terra, para levar a sua salvação universal. Passar-se-á o mesmo com Jesus Cristo.

   

Tradução: Ana Luísa Teixeira

   

   

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