© "Via sacra"  Bill Ross
 

Janeiro - 2012

 

A Tua Palavra Ilumina os Meus Passos

 

Génesis

Jacob quer reconciliar-se

com o seu irmão Esaú

Génesis 32, 2-22
   
Autora: Nicoletta Crosti
 

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Antes de enfrentar o futuro, o chamamento de Deus obriga Jacob a confrontar-se com o seu passado, com as consequências das suas atitudes deploráveis. É exactamente aquilo que fez Israel na Babilónia, reconhecendo ter sido deportado por causa da sua infidelidade e portanto voltando a Jerusalém de coração contrito e decidido a recomeçar um capítulo novo da sua história. História querida por Adonai a qual tomará forma concreta na Torah, escrita exactamente depois do exílio.

Jacob deve em concreto reconciliar-se com o irmão ao qual ele tinha usurpado a progenitura. Por isso, para voltar ao pai, o patriarca decide tomar o caminho mais curto, mas mais perigoso. O caminho que passava através do território de Edom onde vivia o seu irmão Esaú que o queria matar (Gn 27,41).

O autor quer mostrar que

A história da salvação é uma história de reconciliação  

Que acabará na reconciliação maior entre o céu e a terra, entre Deus e a humanidade realizada no Filho, o Cristo (Rm 5,10; 2Cor 5,18).

vv. 2-3 Pelo caminho Jacob tem um encontro extraordinário; uns anjos de Deus que se aproximaram, estando acampados ali perto, nessa zona. O encontro tem um significado de encontro auspicioso (Sl 34/33,8). Este relevo na história de Jacob relaciona-se com uma tradição criada para explicar um topónimo Macanaim, (dual de mahaneh) que significa acampamento. Por isso, o termo ‘acampamento’ será repetido seis vezes nos primeiros versículos do capítulo. Este lugar, não ainda identificado, será importante na história de Israel no tempo de Saul no século XI a.C. (2Sm 2,8; 2Sm 17,24) e tornar-se-á um distrito de Salomão no século seguinte  (1Re 4,14).

v. 4 Jacob mandou á sua frente alguns mensageiros ao irmão Esaú … na região de Edom. Jacob está para entrar em território do irmão e percebe que deve agir com astúcia para reencontrar graça junto dele (v.6) porque, mesmo tendo já passado vinte anos, a ferida de Esaú estaria ainda aberta.

v. 5 Dizei ao meu senhor Esaú: o teu servo Jacob disse … Jacob não se dirigirá mais a Esaú chamando-lhe irmão, mas apenas chamando-o ‘senhor’. Não quer ter uma atitude de superioridade, ainda mais conhecendo quer a profecia segundo a qual ‘o mais velho servirá o mais novo” (Gn 25,23) quer a bênção do pai  (Gn 27,29). Jacob quer permanecer humilde, declara-se servo do mais velho.

v. 6 Jacob admite ter enriquecido e quer ser generoso com o irmão.

v.7 Esaú … vem ao seu encontro e traz com ele quatrocentos homens.  Abraão no máximo do seu poder tinha reunido 318 homens (Gn 14,14), o que significa que Esaú se tinha tornado rico e poderoso. Isto soa como ameaça para Jacob, que pensa encontrar pela frente um grande perigo.

vv. 8-9 Jacob … divide em dois acampamentos a gente que estava com ele. Jacob assusta-se mesmo embora saiba que Deus está com ele, e procura enfrentar a situação com bom senso.

v. 10 Inicia-se o ponto culminante da narrativa: a prece de Jacob.

Alguns exegetas consideram que este texto tardio, isto é, acrescentado num segundo tempo, porque não se adapta à profanidade deste capítulo, que não mais nomeia Deus directamente, nem fala da sua vontade. Na narração tudo é deixado ao arbítrio das personagens e da lei interna aos acontecimentos. A prece é estruturada segundo um esquema típico das súplicas bíblicas, onde o orante reconhece a grandeza de Deus, das suas promessas e das suas escolhas e em nome das quais pede a salvação e a protecção, recordando sempre a sua fragilidade e indignidade. (1Re 8,22-30; Dn 9, 15-19; Est 4, 17a-17h e 17l-17z; Sl 143/142).

v. 10a. Deus do meu pai Abraão …Vêm elencados os nomes e títulos de Deus.

v. 10b Eu farei com que tudo te corra bem - a promessa de protecção.

v. 11 eu sou indigno de toda a benevolência … agora tornei-me possuidor de dois acampamentos. Vêm elencados os benefícios recebidos de Adonai de quem, não obstante a sua indignidade, se sente apenas servo.

v. 12 Salva-me das mãos do meu irmão Esaú … é o centro da súplica.

v. 13 Tornarei a tua descendência tão numerosa como os grãos de areia da praia … é recordada a promessa de descendência que só acontecerá se os seus filhos não forem mortos.;

vv. 14-16 Era costume de cortesia levar presentes a uma pessoa de prestígio.

v. 17 Passai à minha frente e deixem um certo espaço entre um rebanho e outro.  Uma vez mais  Jacob serve-se da astúcia e dispõe à frente os presentes que vai oferecer ao irmão de forma a criar um efeito ‘surpresa’, fazendo o irmão acreditar que o dono tem uma dimensão reduzida. Enquanto Esaú espera encontrar o irmão logo a seguir aos presentes, outros presentes continuam a chegar.

 Isto mostra duas coisas, que   Jacob se tornou rico e que Jacob é generoso.

vv. 18-20 Jacob pára para dizer aos servos as palavras que devem usar porque quer sublinhar o facto de se sentir  ‘servo’ do irmão a quem considera ‘senhor’.

v. 21 Aplacarei o seu rosto com os presentes … então acolher-me-à com benevolência. Jacob deseja reconciliar-se com o irmão e faz o que pode para o conseguir. A continuação da narrativa no capítulo seguinte demonstrará que a reconciliação acontecerá. De facto o autor quer dizer que:

Deus acompanha com a sua bênção o crente que caminha para o bem.

   

Tradução: Ana Luísa Teixeira

   

   

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