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1. Nova Evangelização: por muito polissémico que seja o substantivo
evangelização, a sua longa presença, no vocabulário religioso, representa sempre
uma orientação de sentido, ainda para os que não aderem à religião cristã. O
mesmo não se pode dizer do adjectivo nova, que parece contradizer a perenidade
da Boa Nova, tendendo, por isso, a insinuar uma metodologia actualizada no
anúncio do Evangelho, mais condicionada pela situação dos destinatários do que
por este. No entanto, quando nos referimos ao Evangelho em termos de Boa Nova,
não pensamos apenas na novidade que ele trouxe num determinado momento da
história, mas na sua intrínseca e constante novidade, característica de um
organismo por essência vivo. Falar de Nova Evangelização é também uma forma de
recuperar essa dinâmica, que a petrificação dos sentidos e das formas de vida,
em boa parte, perderam.
2. Nova Evangelização é mais do
que a aplicação do Evangelho às novas situações do mundo em que vivemos. É,
antes de tudo, uma vivificação do próprio Evangelho, que, pela vida e pelo
pensamento, teremos de reinterpretar constantemente, penetrando no poder de
novidade do seu mistério, assumindo que nós, os receptores, fazemos parte dele,
tornando-o velho, se não formos seres em processo de inesgotável renascimento.
3. Por isso o Evangelho não pode
ser reduzido a um documento imutável, que sirva de padrão, em circunstanciais e
inéditos momentos. A vivificação que o Evangelho espera da hermenêutica da nossa
vida é a mesma que nos leva a interpretar – a transformar – o nosso mundo,
também este um receptor constitutivo do Evangelho.
4. Numa sociedade escolarizada,
como é a nossa, a escola é, para o Evangelho e para a Nova Evangelização, um
pólo privilegiado. No entanto, mais do que levar o Evangelho à escola, devido à
sua ausência nela, trata-se de transformar a escola, na sua forma e nos
conteúdos, uma tarefa eminentemente evangélica, porque ao serviço da verdade.
Nunca a escola se transforma a partir de si própria, tendendo mesmo a quedar-se
e a fechar-se num cómodo e lento movimento circular. O Evangelho sempre
representou um suplemento de vida e uma abertura de horizonte que imprimem um
ritmo novo em tudo aquilo com que se encontram.
5. Aos membros da comunidade
escolar – alunos, docentes e funcionários –, intervenientes decisivos no
processo da Nova Evangelização, não se lhes pede somente que se adentrem no
Evangelho ou que o transmitam, mais e melhor do que antes, na escola.
Exige-se-lhes, sim, que, todos, sejam menos funcionários da instituição escolar
e mais protagonistas de uma escola em constante renovação, única forma de
patentear a verdade.
6. A Nova Evangelização
contribuirá para aquilo que os saberes nunca conseguiram atingir: derrubar o
fosso entre a vida e a escola. Os alunos, os funcionários e os docentes não
envergarão duas batas, a da vida e a da escola, mas apenas uma, a da vida, que
se manifestará particularmente activa nos espaços escolares.
7. Não se estuda, apenas e
sobretudo, na escola, acolhendo passivamente aí o que outros inventaram; a
ciência não é apenas produção de génios que nós, os vulgares, teremos de reter,
por imposição de decisões políticas. O compromisso com a verdade é bem mais
imperativo do que com a ciência, não dispensando ninguém de o assumir. Aos
evangelizadores do século XXI pede-se, como tarefa prioritária, que exijam – e
produzam – uma ciência marcada pela exigência de verdade.
8. Sempre que um estudante,
docente ou aluno, contribui para o afloramento da luz da verdade, na ciência, no
trabalho, no comportamento, está a interpretar o Evangelho, a tornar presente a
pessoa de Jesus Cristo, a grande expressão da Boa Nova.
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